O empresário Marcelo Odebrecht, preso na operação Lava Jato, prestou depoimento a Justiça Eleitoral no Paraná, nesta quarta-feira, 1º de março.
O objetivo foi servir como testemunha, em uma ação no TSE que pede a cassação da chapa Dilma Temer, vencedora das eleições em 2014.
A ação foi proposta pelo PSDB no começo de 2015, acusando a chapa de abuso de poder econômico, e de uso de caixa 2, propinas, para se financiar.
Com a saída de Dilma da presidência no ano passado por causa do processo de Impeachment, chegou a cogitar o arquivamento do caso, mas o TSE negou e quis continuar as apurações.
Como o presidente Michel Temer foi remanescente da chapa, é ele agora o principal alvo da ação, embora sua defesa tente desconstruir a imagem de que o atual presidente tinha algo a ver com a situação na época, por não estar ele afrente da chapa.
Marcelo Odebrecht foi ouvido como testemunha, porque um dos executivos da Odebrecht em delação, relatou pagamentos da companhia para a chapa Dilma Temer em 2014.
Na quarta-feira, durante seu depoimento a Justiça, o empresário confirmou ter feito repasse da ordem de R$ 150 Mi para a chapa.
Ele não especificou quanto foi dado para cada, nem quanto disso veio de propinas, mas reiterou que houve caixa 2, e com o conhecimento de Dilma Rousseff.
Parte do valor, foi repassado a João Santana, a época dos fatos que fazia marketing para o PT. Os recursos foram repassados no exterior, para fugir da fiscalização brasileira.
Marcelo Odebrecht respondeu as perguntas de advogados, da Justiça e apresentou documentos que corroboram com suas declarações.
Seu advogado disse que o cliente falou o que foi preciso falar, mas que não poderia comentar o conteúdo por causa do sigilo do processo.
Agora, mais testemunhas ligadas a companhia vão prestar depoimento a respeito do caso, antes que o processo siga a fase de conclusão.
Se o TSE entender que houve abuso de poder econômico e uso de caixa 2 na campanha presidencial, a eleição vai ser invalidada e a chapa terá sua autenticidade cassada.
Como Dilma já perdeu o mandato pelo Impeachment, Michel Temer também seria automaticamente cassado pelo TSE.
Nesta probabilidade inédita de acontecer, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, assumiria a presidência da república temporariamente.
Como já se fazem dois anos da eleição, a lei manda com que outro presidente seja escolhido de forma indireta, em uma eleição dentro do Senado Federal.
A estratégia de Temer agora, vai ser correr contra o tempo para tentar atrasar o processo. O objetivo, impedir que o TSE consiga cassar seu mandato antes dele se encerrar em 2018.
Ester Marini
estermarini@kester.net.br