Nesta semana, os olhares de Brasília se voltam para a Procuradoria Geral da República.
Em sua penúltima semana afrente de seu cargo, Rodrigo Janot deve apresentar a segunda denúncia contra o Presidente Michel Temer, por crimes cometidos no exercício do mandato presidencial.
Ele já apresentou uma, por corrupção passiva, que foi rejeitada pela Câmara dos Deputados.
Na prática isso quer dizer, que os deputados não autorizaram a abertura do processo, e que ele fica parado até que Temer deixe a presidência.
Só voltando a ser um cidadão comum, sem foro privilegiado, é que o Presidente vai passar a ter a oportunidade de responder pelo crime na Primeira Instância da Justiça.
Como a denúncia é da Lava Jato, é possível que seja julgado pelo Juiz Federal Sérgio Moro, que concentra a Primeira Instância dos casos.
Nesta segunda denúncia, Temer usa como base a delação do doleiro Lúcio Funaro, e mais informações da delação dos donos da JBS.
O problema, essa denúncia perdeu força na segunda, 4, antes mesmo de ser realizada.
Janot e a Procuradoria, foram colocados sob suspeita, depois que a JBS por engano, encaminhou coisas que não devia a um anexo de delações.
Esses áudios e documentos, enviados por engano segundo analistas, mostram que a empresa e seus executivos, omitiram informações importantes e vitais para as investigações, na delação que fizeram.
Se comprovando isto, eles podem até perder os benefícios do acordo que firmaram com a Justiça.
Não é que o que falaram vai perder a validade, mas como deixaram de falar coisas, e essas são importantes, eles perdem o benefício e podem inclusive ser presos.
Só que dentro de todo esse universo que não comentaram, estão contas não declaradas com recursos financeiros, muitos recursos financeiros.
E também, porque não relembrar, áudios de executivos conversando sobre a ligação deles com Marcello Miller.
Miller era Procurador, braço direito de Janot, no seu gabinete.
Costurou pontos da delação da JBS, antes de deixar seu cargo para trabalhar em um escritório de advocacia, especializado em delações.
Estranha mudança, já que deixar a Procuradoria, um emprego estável, por um na iniciativa privada, soa esquisito no mínimo.
Então pode se comprovar, que a JBS não tinha somente Miller e politicos nas mãos. Isso transcende, chega ao STF, pelo menos quatro ministros citados.
E agora Brasil? As flechas de Janot antes miradas em Temer, podem atingir ao Judiciário e a ele próprio.
Em meio a toda essa crise que de novo, é sem precedentes e cada vez se aprofunda mais, fica incerto afirmar o que vem na denúncia contra Michel Temer.
Há especialistas dizendo até, que o Procurador deveria desistir dessa estratégia.
Denunciar Temer agora, já sabendo que possivelmente essa denúncia não passe assim como a primeira, é atirar não no pé, mas na cabeça da Procuradoria e da Lava Jato.
Ester Marini
estermarini@kester.net.br