A crise politica que assola o Brasil, não atinge apenas deputados, senadores e Michel Temer, citados em delações premiadas de empreiteiras e outras empresas na Lava Jato.
A crise politica é profunda e institucional, tomando conta de muitos partidos, fazendo alguns deles se sucumbir e outros se reinventar para ficarem no páreo para a disputa.
Diferente do cenário visto em 2014, 2010, 2006, 2002, 1998, 1994, ou qualquer um outro ano anterior, de eleições presidenciais, tudo pode acontecer em 2018.
Não há nas ruas um nome consenso por parte da população e cada pessoa tenta se aproveitar disso para fazer a sua imagem.
A questão, é que alguns dos politicos, figurinhas carimbadas na nossa vida e nos jornais, ficaram muito arranhados com delações, caso de Aécio Neves.
Uma candidatura qualquer que seja para o senador a essa altura, seria um tiro no pé. Ainda que ele resolva aparecer e apoiar alguém ao governo de seu estado Minas Gerais, a sua aparição pode contaminar o candidato.
O mesmo pode acontecer com Lula, que não está em tanta alta assim.
Apesar de aparecer em primeiro nas disputas simuladas, o possível presidenciável viu sua imagem degringolar com a condenação na Lava Jato no caso triplex, feita pelo Juiz Federal Sérgio Moro.
A demora e a morosidade em prendê-lo, é a única coisa que pode o garantir no pleito no ano que vem, e uma eventual vitória, colocaria o Brasil numa situação sem precedentes na sua historia.
Vez agora eleito, um governo Lula teria uma cara bem diferente do que foi em 2002 ou 2006.
O mandato seria carregado de ódio contra as autoridades, que o condenam pelos desvios públicos que causou.
Simpatizante do regime Maduro, implantado na Venezuela, nada ia surpreender, se o petista tentasse emplacar isso aqui.
Para tentar impedi-lo, precisamos ir as urnas, precisamos ir contra o projeto que ele e outros pretendem, e mais.
Precisamos também de encontrar alguém para nos representar em ideias e concepções.
Mas essa procura está cada dia mais acirrada e ao mesmo tempo difícil. Porque para cada lado que olhemos, quem ainda não foi contaminado com as delações, esta em um partido que vive uma crise interna.
Agora falamos do PSDB abertamente, que deixou o poder em 2002, tentou voltar diversas vezes mas não emplacou.
Primeiro com Serra, derrotado por Lula.
Depois com Alckmin, de novo derrotado por Lula.
Em seguida novamente Serra, que acho já deveria ter se aposentado, ao ser derrotado por Dilma, colada na imagem de Lula.
E recentemente em 2014, quando Dilma de novo colada em Lula, derrotou Aécio Neves.
O partido agora tenta se organizar, para um novo nome ou para repetir como disse, figurinhas conhecidas.
Ainda não há um consenso, se Alckmin será o nome, apesar da pressão do governador para disputar o Planalto no ano que vem.
Não há ainda a decisão, apesar que esta seja pouco provável, que o partido decida testar o recém politico João Doria, eleito para prefeito de São Paulo, com o apoio de Alckmin que o fez aliado e afilhado politico.
Não se sabe, se arrisca-se mais, e puxa-se um nome do Senado, ou de outro estado, como Marcone Perilo, Beto Richa, entre outros que possam surgir.
A verdade é que o PSDB ainda não se resolveu, e precisa fazer isso logo, para construir um nome dentro do partido antes de apresenta-lo as ruas.
Mas a disputa é tão vidente, que a interna Executiva do partido está partida ao meio literalmente.
Aécio Neves, manchado pelas delações da JBS, deixou o comando do partido antes da hora, das convenções.
E nomeou Tasso Jereissati como seu sucessor interino.
O senador porém, não tem agradado. Principalmente depois de veicular propagandas em que assume erros do PSDB, critica o modelo de governo adotado no país, e expõe a clara e necessária mudança que todos enxergamos.
Todos, menos os aecistas de plantão.
Que dispararam críticas a Tasso, sem qualquer pudor, pediram a sua saída, e provocaram uma situação muito tensa.
Em dezembro, foi agendada a convenção nacional do partido para a escolha de sua nova Executiva.
Com exclusividade, Kester 10 G, trouxe a informação nesta segunda, 21.
Esperava-se que a eleição fosse por agora, mas vai ficar mesmo para dezembro, confirmaram fontes a esta Colunista.
Só que isso não significa que Tasso vai seguir na presidência do PSDB.
Aliados do senador Aécio Neves, tentam reconduzi-lo ao cargo, ou ao menos retirar Jereissati, pondo alguém mais aliado a Aécio.
Se Tasso cair, ainda existem 7 nomes de vice-presidentes que podem ser escolhido pelo comandante Neves, para ocupar o seu lugar.
E isso adiaria seu sonho de voltar a presidir o partido, que se afastaria ainda mais com a convenção de dezembro próximo.
Na verdade, a disputa interna é grande, com muitos pensadores e muitos caciques para pouco espaço dentro do partido.
Geraldo Alckmin e Doria, apoiam Tasso.
Mas Doria não é consenso dentro do partido, tem gente que ainda não se acostumou com ele ali.
Aécio tenta reunificar seus apoios, e tem base forte.
É incógnito o futuro dos psdebistas.
Que apesar de ter disputas internas demais, e fortes nomes para 2018, pode experimentar uma debandada.
Nada seria de surpreender, se Alckmin e Doria deixassem o partido, para alçarem seus próprios voos dentro de outras legendas, embora publicamente não admitam essa probabilidade.
Há muitas portas abertas para ambos, de partidos que desejam os ter, por causa de seu cacife, por causa da ideologia, para desbancar o PSDB, escolham a opção.
Ester Marini
estermarini@kester.net.br