A sexta-feira começou negra em Brasília.
Perdoem o trocadilho mas foi bem assim que amanheceu os lados do Planalto hoje.
Parece que mais um capítulo do caso Geddel foi escrito com um desfecho nada favorável ao governo do presidente Michel Temer.
O Ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, depois de uma semana sendo protagonista de discussões e acusações pediu para sair.
Em uma carta enviada por e-mail para Michel Temer, Geddel escreveu que se o problema do governo era ele, então fosse este o momento de sair.
O Ministro que era responsável por fazer a articulação do governo com o Congresso Nacional, deu carta branca para que Michel Temer escolhesse um novo nome para substituí-lo.
Claro que ainda não existe um nome de senso comum para que possa ser o substituto, mas o governo vai precisar agir logo se não quiser se perder em meio a esta crise que se arrasta.
O caso começou na semana passada em 18 de novembro.
O Ministro da Cultura Marcelo Calero, pediu demissão de seu cargo ao presidente Michel Temer.
Para o presidente e para a imprensa, foi categórico ao afirmar a razão de sua saída. Estava se sentindo pressionado por Geddel Vieira Lima a liberar uma obra embargada em Salvador.
O interesse de Geddel na obra em sua cidade, é que ele teria adquirido um apartamento na planta do prédio que seria construído com mais de 30 andares, o que
violaria a constituição e por isso Geddel queria a autorização do Ministro da época para que o prédio pudesse violar a regra, ser uma exceção para que pudesse ser construído.
Calero não se dobrou ao então Ministro e levou o caso para frente. Falou com Eliseu Padilha, chefe da casa civil, falou com outros ministros de governo e falou com o próprio Temer.
Descobriu-se depois que o presidente disse a ele que levasse o caso a AGU, e que resolvesse a questão.
Para Temer, resolver a questão seria levar o caso para ser discutido na AGU, para que a Advocacia Geral da União solucionasse o conflito que se gerou entre as
Pastas.
Para Calero, levar o assunto para frente e resolvê-lo, seria encontrar um jeito de atender ao que pedia Geddel.
O Ministro pediu para sair, mas continuou pondo lenha na fogueira.
No decorrer dessa semana, prestou depoimento a Polícia Federal, afirmou ter sido pressionado para liberar a obra, afirmou que Temer sabia, deixou Geddel e o
presidente numa situação de saía justa.
Ambos podem ser acusados de tráfico de influência, crime de corrupção, mas isso quem vai definir é o procurador-geral.
Rodrigo Janot recebeu o depoimento e deve analisa-lo, ele pode indicar que Geddel e Temer sejam investigados, que só Geddel seja investigado ou pode arquivar o
caso.
A situação tomou proporções inimagináveis e por esta razão Geddel pediu para sair do governo.
Mas antes que o fizesse, foi defendido por politicos da base, por líderes de partidos aliados, pelo próprio presidente Temer a quem é amigo de longa data.
É certo que Temer não queria a saída de Geddel, mas o escândalo foi tamanho que ficou insustentável sua permanência no Planalto.
Ester Marini
estermarini@garc.a3.net.br