O presidente do Senado Federal Renan Calheiros, do PMDB, defendeu Michel Temer nesta sexta-feira, 25.
O presidente foi acusado de enquadrar Marcelo Calero, seu ex-ministro de estado, para que ele intercedesse em favor de um pedido do ex-ministro Geddel Vieira Lima, em um caso que se transformou em escândalo nacional.
Por causa dessas ações, a oposição falou inclusive em Impeachment para Temer, tentando dar o troco pelo que houve com Dilma Rousseff.
Mas Renan disse que o caso está totalmente fora de contexto e que isso não justificaria Impeachment.
O presidente do Senado, defendeu que Temer faz um bom trabalho afrente do país, e disse que Temer tentou apenas intermediar um conflito entre os ministros quando foi falar com Calero sobre o pedido de Geddel.
Renan disse que o país precisa de se preocupar com outras ações mais importantes e que devem ser tomadas urgentes para que o país volte para os trilhos na economia.
Prometeu que pode cancelar o recesso parlamentar, para que o Senado pudesse votar as tão necessárias reformas para o governo.
Recomendou ainda que Rodrigo Maia, presidente da Câmara, fizesse o mesmo na casa de leis.
Se isso vier mesmo a acontecer, pode ser a primeira vez na historia que parlamentares cancelam o recesso de fim de ano para votações importantes.
Caso Geddel
Em 18 de novembro o então Ministro da Cultura Marcelo Calero, pediu demissão do cargo.
Para justificar sua saída, ele alegou estar sofrendo pressão de Geddel Vieira Lima, para liberar a construção de um edifício de luxo em Salvador.
Geddel tinha comprado um imóvel na planta deste edifício, mas a obra foi embargada pelo Iphan por causa de sua altura, 31 andares.
Como o Iphan é subordinado a Pasta da Cultura, Marcelo Calero alegou ter sido pressionado por Geddel para liberar a obra.
Em depoimento a Polícia Federal nesta semana, o ex-ministro confirmou que reportou a situação ao presidente Michel Temer.
Numa reunião a portas fechadas, Temer pediu que Calero resolvesse a questão e atendesse ao pedido de Geddel, o que motivou sua saída.
Marcelo Calero deixou a Pasta e para seu lugar assumiu Roberto Freire, mas a obra permaneceu embargada.
Nesta sexta-feira, 25, uma semana depois do escândalo ter se tornado público e depois do presidente Temer dizer que Geddel ficaria no governo, o Ministro pediu para sair do cargo.
Geddel pode ser investigado pela Procuradoria Geral da República, para verificar se houve tráfico de influência sobre o Ministro Calero.
Se comprovada a prática ele pode inclusive ser processado pelo crime.
Ester Marini
estermarini@garc.a3.net.br